
E aconteceu o que ninguém esperava. Depois de eliminar equipes como o São Paulo e o temido Boca Juniors, era difícil achar alguma pessoa que acreditasse no título perdido pelo Fluminense, na noite passada, diante da Liga Deportiva Universitária. Um jogo decidido nos pênaltis, que teve como herói da Liga, o irregular arqueiro Cevallos, de 38 anos. Los de Quito, levarão pra casa a cobiçada Taça Libertadores da América, que os cariocas sonhavam em conquistar. E mais do que isso, tinham a convicção de que conquistariam, mesmo com o 2-4 de desvantagem, resultado obtido pela Liga, na Casablanca, em Quito. E talvez tenha sido esse o principal motivo pelo insucesso dos cariocas, a certeza de que o título não escaparia de suas mãos.

O Maracanã estava completamente tomado pela torcida tricolor. O que não diminuía a empolgação dos torcedores equatorianos que foram ao Rio de Janeiro, acompanhar a Liga. Torcedores esses que foram os primeiros a vibrar, quando aos 5 minutos Guerrón fez jogada individual e cruzou rasteiro para a área. Bolaños, completamente livre, bateu de perna direita, e a bola ainda desviou em Gabriel antes de morrer no fundo da rede de Fernando Henrique. A Liga aumentava a sua vantagem ao fazer 0-1, e o agregado mostrava 2-5 favorável a Liga naquele momento. Logo depois, Washington perdeu chance incrível, ao arrematar pra fora, na frente de Cevallos. Mas aos 12 minutos, Thiago Neves reacendeu a esperança tricolor empatando a partida, em chute de fora da área. Aos 28 minutos, o segundo gol do Fluminense. Cobrança de lateral rápida para Cícero, que cruzou para Thiago Neves. De primeira, o meia marcou o segundo gol carioca e dele na partida. O primeiro tempo seguiu sem alteração no placar. O Fluminense precisava de pelo menos mais um gol para levar pra prorrogação. E foi o que aconteceu. Aos 12 minutos da segunda etapa, em cobrança de falta de Thiago Neves, veio o terceiro gol. Era o hat-trick do meia tricolor e o Fluminense levava o jogo para a prorrogação. O jogo seguiu com o 3-1 no placar até o seu final. Graças a algumas interveções de Cevallos.
Na prorrogação, poucos lances de perigo. Entre esses lances, um gol de Bieler para a Liga, em que foi assinalada posição irregular, irregularidade essa que não existia, e que se não houvesse sido marcada daria o título a Liga já na prorrogação. No último minuto do tempo extra, o zagueiro Luiz Alberto do Fluminense, acabou expulso, após falta em Guerrón. Vieram os pênaltis, e junto com eles surgia o herói da decisão. Cevallos defendeu três cobranças, de Conca, Washington e Thiago Neves, o mesmo que havia feito três gols na partida, e que tinha tudo para sair consagrado do Maracanã. Cícero foi o único a converter a penalidade pelo lado carioca. Pela Liga, Campos errou, mas Urrutia, Salas e Guerrón anotaram, fazendo o 1-3 favorável a equipe equatoriana, e que deu a Liga a maior glória de sua história, e do futebol equatoriano.
A Liga Deportiva Universitária sai do Maracanã consagrada como campeã da Copa Santander Libertadores 2008. Ao Fluminense, resta lamentar o título inédito perdido. E aprender com isso algumas lições, como não achar que um jogo está ganho antes dele ser realizado. Porque em Libertadores da América, nunca se tem jogo ganho. E que ousa pensar assim, acaba sempre punido. Foi o que aconteceu. O Fluminense, que estava no céu, vai acordar no inferno. Se já não bastasse a derrota traumatizante, a equipe acorda na lanterna do Campeonato Brasileiro. E se quiser ter uma nova chance de disputar a Libertadores, é bom reagir logo, porque senão o sonho da Libertadores, pode se transformar no pesadelo da Série B.
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